Não quero ser mãe. Acho…

Eu ainda resisto muito a fazer essa afirmação, mas acho que não quero ser mãe. E é curioso, porque tenho pensado muito em maternidade. Afinal, estou com 41 anos. Meus óvulos já estão “velhos” e não sei até quando meu útero seguirá viável para uma gestação. Não seria a hora de procriar?

As novas gerações nem tanto, mas a minha ainda valoriza muito o “casar e ter filhos”. Além do prazer que (a gente espera) essas realizações possam trazer, elas são um papel social a cumprir. Volta e meia recebo aquele olhar condescendente ao dizer a minha idade. Ele diz: “Não é casada, tadinha…” E eu me sinto coitada, mesmo! É muito ambivalente.

Veja bem: eu adoraria estar casada. Mas mesmo que fosse, a maternidade seguiria sendo uma interrogação. Porque parir não te garante felicidade nem realização. Conheço muitas mulheres que azucrinaram os filhos por anos, imputando neles as frustrações de sonhos de liberdade nunca realizados: “Se eu não tivesse filhos, estaria na África pesquisando babuínos…”

  • Se eu não tivesse filhos, estaria na África pesquisando babuínos…

Essas, creio, são as vítimas da maternidade compulsória. Essa expectativa social que criou o mito de que a mulher só pode ser completa após ser mãe. Responsabilidade da qual, né?, os homens estão li-be-ra-dos.

Li aqui que “a premissa de que a mulher necessariamente deve parir é uma ideia que se converte numa forma brutal de violência. Por mais que se diga o contrário, a maternidade não é uma vontade intrínseca ou inerente ao sexo feminino. Mesmo antes dos métodos anticoncepcionais serem disponibilizados ou que se processassem todas as transformações que possibilitaram a mulher ter acessos a direitos, inclusive de se inserir no mercado de trabalho, a maternidade não era única aspiração feminina.”

Ter filho tem várias vantagens, alegrias e felicidades. Mas tem o peso de uma responsabilidade não só física, mas moral. Você limpará as cagadas dele o resto da vida. Saca a entrevista com a mãe do Bolsonaro? Coitada! Quero isso? Não.

 

Amo crianças, especialmente bebês. Mas eu tenho três gatos e, às vezes, tenho vontade de abrir a porta e dizer pra eles: “Vão cagar na rua, caçar sua comida e dar um jeito nesses pelos! E não me voltem tarde, fazendo barulho, que eu não abro a porta!”

Você faria isso com um filho? Eu faria?

  • Eu tenho três gatos e, às vezes, tenho vontade de abrir a porta e dizer pra eles: “Vão cagar na rua, caçar sua comida e dar um jeito nesses pelos! E não me voltem tarde, fazendo barulho, que eu não abro a porta!”

E não para por aí. Depois que a mulher vira mãe, começa a disputa do “mais mãe”.  Mais mãe é quem passa por parto normal, mais mãe é quem amamenta, mais mãe é quem faz tripla jornada…

Escrevo esse post em um Dia das Mães, após ler uma grande discussão em um grupo bacana do qual faço parte, no Facebook, sobre “mães de bichos”. As mães (de humanos) explicando que “o rolê” de ser mãe “de verdade” nem se comparava ao de “mãe de bicho”.

Eu nem sei o que pensar. Mas meus gatos estão com fome.

Vou lá abrir um sachê, afinal, hoje é Dia das Mães.

 

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4 comentários Adicione o seu

  1. Grazi Luz disse:

    Adorei o post Tati, aliás, adorei tidos eles!!! Parabéns, teu blog tá lindo, curioso, com otimos assuntos e opiniões fortes e delicadas ao mesmo tempo.
    Bem Tati Py!

    Bjinho

    Curtido por 1 pessoa

  2. Parabéns pelo blog!
    Minha médica dizia que os bebês são vizinhos uns dos outros nos bercinhos da maternidade, e que mais tarde, no futuro, alguns deles se encontrariam novamente como colegas de classe, amigos e até namorados. Aquele grande e memorável primeiro encontro talvez não seja de fato a primeira vez em que eles estejam se encontrando, não é mesmo? kkkkkkk

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