Sorte do dia: você não é a “Mãe da reportagem do Estadão”

victoria

Não sou mãe, mas já percebi: esse cargo é uma merda.

Você está presente demais (ou de menos) e a culpa será sua se algo der errado.

Daí que o Estadão publicou uma reportagem sobre uma escola de São Paulo (essas coisas, só em Sampa, né?), que oferecem aos pais a possibilidade de deixar os filhos das 8h às 20h, com roupas lavadas e refeições (que ainda podem ser compradas congeladas para os fins de semana), além de outros serviços.

Mas foi a felicidade de uma mãe o que incomodou. Me incomodou, também.

Ela matriculou o filho aos 4 meses na escola e já usou todos os serviços ofertados. Hoje ele está com 3 anos. A mãe conta que, até o menino completar 2 anos, todas as refeições que fazia em fins de semana, feriados e férias eram compradas no colégio. Soou orgulhosa a afirmação dela:

  • “Nunca precisei fazer uma papinha de bebê na vida.” 

Sempre achei que os perrengues da maternidade/paternidade fizessem parte do pacote “procriação”, mas como os pais que abandonam as famílias já nos ensinaram, não fazem.

Ocorre que essa mulher está sendo mega julgada por ter escolhido ter filhos e não “padecer no paraíso”. Não sei como ela cria o filho. É querida, é uma bruxa? Um mistério. Na foto, a criança sorri perto da mãe, que recorreu às comodidades disponíveis para manter o filho vivo, limpo e bem alimentado.

Terceirizou parte dos serviços, para resumir.

Mas por ter a foto com o filho (lindinho) divulgada, está personificando uma certa “maternidade displicente” ou “maternidade eventual”.

Uma amiga lembrou, num grupo do Facebook, que essa mãe não inaugurou a terceirização da criação.

“Isso sempre foi a regra da burguesia. No passado nem amamentar as mães amamentavam. A humanidade sobreviveu. A gente busca receita pra criar um ser humano, mas isso não existe. Às vezes, esse arranjo será o melhor pra ambos os lados. Se lá na frente o guri precisar de terapia por isso, vai ser só mais um. Precisamos todos.”

Há uma série de perguntas sobre maternidade que vagueiam sem respostas. Mas, como me lembrou outra amiga, o que mais importa é saber se a criança está feliz. E o quão distante está dos pais.

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1 comentário Adicione o seu

  1. Maria Rita Py Dutra disse:

    E se o guri precisar de terapeuta, simples: a mãe pode pagar!

    Curtido por 1 pessoa

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