Eu odeio o frio

frio

Claro, tudo tem seu lado bom. E eu reconheço que o inverno tem o seu: consiste em comer comida que aquece, tomar vinho e dormir pesadamente.

Todo o resto envolve sofrimento – inclusive o “vestir bem”.

Gosto de me sentir elegante (quem não?). Mas até eu virar uma pessoa bem vestida, pela manhã, preciso sair debaixo das cobertas (e passar frio), tomar banho (e passar frio), me vestir (e passar frio), para sair à rua (e passar frio).

E tem as doenças de temporada que me perseguem: rinite, sinusite, bronquite. Além dos meus rins e gengivas – que já estão me dando trabalho antes mesmo da estação tenebrosa chegar.

Alô, 21/06, tá tudo inflamado, já! Seja gentil, por favor!

E eu sou depressiva. Que alegria, né?
Não é, não…

Maaaas…

frio-na-europa-destaque

Eu tô reclamando dentro de uma casa com paredes de alvenaria sem uma fissura que me deixe vulnerável às intempéries. Minhas janelas e portas estão fechadas, e o vento gelado não entra. Eu visto meias quentes, roupas adequadas. No fogão, aqueço algo pra comer.

Infelizmente, há milhares de famílias que carecem de abrigo adequado, comida e roupas: o básico para suportar as condições que o inverno impõe. E se quem está no poder parece trabalhar para que a miséria se amplie, a gente pode tentar colaborar.

Aqui no Rio Grande do Sul e, creio, outros estados onde faz frio, há campanhas do agasalho municipais, instituições assistenciais e ONGs que aceitam doações. Peça referência sobre essas organizações, informe-se e doe.

– Mas, Tati, eu só tenho umas meias pra doar.
– Migo, tem gente andando de chinelo de dedo nessa friaca. Sem meias.

Se a roupa está rasgadinha, dá uns pontinhos ali, na boa vontade. Pensa que alguém que tá com frio vai se aquecer com a tua roupa AND com o seu carinho.

Sabe fazer tricô? Quem sabe fazer umas meinhas para bebê, uma manta? Um quadradinho para enviar ao projeto Quadradinhos do Amor, da AVTSM, e ajudar a fazer um cobertorzinho?

Na minha cidade, Santa Maria, informe-se sobre a Campanha do agasalho aqui.
Custa pouco, mas vale muito. E aquece.
Solidariedade aquece.

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Curiosamente, no momento em que eu escrevia esse post, cenas de perversidade se desenrolavam em Porto Alegre. Na calada da noite, o governo do Estado iniciou a expulsão de 70 famílias de um prédio, no centro da cidade, que estava abandonado há mais de 10 anos.

Bombas de efeito moral, spray de pimenta e surras de cassetetes foram relatadas.

As pessoas, sem lar, foram mandadas para um galpão com zero infraestrutura.

Leia mais sobre o caso:

http://www.correiodopovo.com.br/Noticias/Geral/2017/6/620462/Integrantes-da-Lanceiros-Negros-reclamam-de-falta-de-estrutura-em-novo-local

http://www.correiodopovo.com.br/Noticias/Geral/2017/06/620482/Nao-sei-porque-fui-preso-e-nem-porque-fui-solto,-diz-deputado-detido-em-desocupacao

http://www.correiodopovo.com.br/Noticias/Geral/2017/06/620486/OABRS-lamenta-excessos-de-violencia-em-desocupacao-em-Porto-Alegre

http://www.correiodopovo.com.br/Noticias/Politica/2017/06/620503/Em-nova-nota,-Piratini-cita-interesse-ideologico-e-politico-na-ocupacao

http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticias/noticia/2017/06/moradores-de-ocupacao-deixam-abrigo-improvisado-na-zona-norte-de-porto-alegre-9817342.html

http://zh.clicrbs.com.br/rs/opiniao/colunistas/humberto-trezzi/noticia/2017/06/faltou-bom-senso-9817020.html

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