Se eu não te cumprimentei é porque não te reconheci

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Imagem: Hospital de Olhos Camargo Zambrin

Para novas amizades, eu sou a soma de três combinações infelizes: distraída, péssima fisionomista e grau 17281726153623 de astigmatismo.

Na última vez que consultei o Dr. Morte (o consultório é bizarro e ele combina com o ambiente), sem saber, experimentei todas as lentes que ele tinha. E afirmei:

  • Não tô enxergando todas as letras.

No fim, pedi que ele me recomendasse a lente “mais forte” e fui encomendar os óculos – que, recentemente, perdi.

Aí, realmente, vira um problema chegar em casa, à noitinha, e confundir vizinho com um bandido, estranho com um velho amigo, carros com motos. Nem sempre porque não vi, mas porque, também, não dou atenção rapidamente para tudo o que vejo.

Assim, meio que parei de cumprimentar pessoas por medo de pagar mico. Solto um sorrisinho leve, olhando pra baixo (não sei como parece… um sorriso tímido pode parecer uma careta, né?).

E o pior, tem gente que se ofende. Mas, assim, deixa eu contar meu lado com um exemplo prático: sempre vejo umas sentadas nos bancos do play, cuidando das crianças e conversando.

Eu sei que uma é loira, outra é morena, outra pintou o cabelo e emagreceu. Mas essa última eu reconheço mais pelo formato do corpo, pela presença, do que pelo rosto.

Eu não consegui guardar a fisionomia dela e o shape da moça mudou. Resultado: eu só sei quem ela é dentro do condomínio, no lugar de costume… Na rua, eu não sei quem é.

Passei por ela, na rua, esses dias. Passei reto, né?

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Imagem: Hospital de Olhos Camargo Zambrin

E ainda tem o pessoal do Facebook.

Com a maioria, eu só interagi virtualmente. E as pessoas (eu, pelo menos) escolhem as melhores fotos pra usar como perfil. Maquiadinhas, cabelinho cortado… Daí, encontro as figuras no verão de 40°C em Santa Maria, suadas, cabelo colando na testa… Não sei quem são, né?

Dou graças a Deus quando alguém diz:

  • Oi, Tati!

Começo imediatamente a pesquisa mental para recordar de onde conheço a pessoa até que lembre ou admita a derrota:

  • De onde a gente se conhece, mesmo?

Porque tem gente que se magoa. Esses tempos, no meio de uma das dezenas de discussões virtuais inúteis nas quais me envolvo, me jogou na cara:

  • Tu, uma pessoa que nem cumprimenta a gente quando passa na rua…

Bem-vindo à minha vida!

 

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2 comentários Adicione o seu

  1. Angelita Brum disse:

    Adorei o texto, como tudo que tu escreve!
    Que bom saber que não sou a única que passa por isso!
    Tô numa fase que não enxergo a pessoa nem no corredor do prédio 😦
    Mas a gente se vira né hehe bjao!

    Curtido por 1 pessoa

    1. tatipy disse:

      Hahhaha. Tá feia a coisa, né, amiga? Beijo!

      Curtir

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