Um tiro na sua cara

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Aqui no Rio Grande do Sul, tem uma frente parlamentar chamada Armas pela Vida. Basicamente, um grupo defende que qualquer pessoa possa ter porte de arma.

A justificativa deles é o direito a defesa, já que boa parcela da sociedade se sente insegura diante da violência. E não sem razão.

Mas o nome desse grupo é um paradoxo. E hoje, quando mais de 50 pessoas foram mortas em Las Vegas por um franco atirador (ou louco, ou terrorista, sei lá), pensei nisso.

Dê uma espiada no noticiário. Tem muitos assassinatos rolando diariamente, né? Mas raramente vemos os de autodefesa. Os que nos chamam mais a atenção nem sempre foram protagonizados por bandidos, mas por cidadãos comuns armados. 

A briga de trânsito termina em morte, o conflito de família termina em morte, a criança acha o revólver de um familiar, alguém usa o revólver para dar fim a própria vida..

O homem é o lobo do homem.

Devemos mesmo liberar o uso de armas para os cidadãos?

Segundo o Dieese, no Brasil, há oito armas a cada cem habitantes, e a taxa de homicídios é de 20 por 100 mil. É muito, já. E não pense que só os bandidos andam armados. O mercado ilegal de armas não discrimina “cidadãos de bem”.

E, li no G1, que mudanças no Estatuto de Desarmamento gerariam ainda mais violência na sociedade. Segundo o especialista em segurança pública Rodrigo Azevedo, professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, deve haver maior rigidez no acesso a armas e não o contrário:

“Ter arma não garante a segurança do indivíduo. Ter arma torna o cidadão alvo para pessoas interessadas em obter essa arma. Muitas vezes as armas que chegam nas mãos de criminosos são obtidas e compradas legalmente. Depois, são roubadas ou furtadas”

No mês passado, a “flexibilização” do Estatuto do Desarmamento emergiu quando a chamada Bancada da Bala, do Congresso Nacional, apresentou projeto de lei que disciplina o porte de arma de fogo nas propriedades rurais. A ideia é dar permissão para todos os trabalhadores ou donos de áreas rurais maiores de 25 anos, com uso nos limites da propriedade.  “Proteção pessoal e patrimonial”, dizem eles.

Em alguns Estados dos EUA é assim. Curiosamente, a nação mais armada do mundo não é nem a mais segura, nem a menos violenta. E, até onde sei, nunca, em outro país, cidadãos comuns usaram tanto o seu poder de fogo para ferir inocentes.

 

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