Quantas vezes eu chorei na tua frente, Mãe? Agora, só posso sorrir!

Minha guia, companheira e advogada. Minha Medianeira amada!

Há cerca de 15 novembros nos encontramos na Romaria. Hoje estou longe de casa, mas meu coração pulsa nos passos de cada romeiro, em cada lágrima de dor, em cada sorriso de gratidão.

Eu que, muitas vezes, caminhei entre a multidão pelas ruas de Santa Maria enquanto meu espírito rastejava de desespero; venho dar novamente um testemunho de fé.

A Senhora é a minha libertação, meu porto seguro nos dias amargos, minha casa festiva nos dias de celebração.

Obrigada, obrigada, obrigada, Medianeira de Todas as Graças!

nossa senhora medianeira de todas as graças

Uma mulher cheia de fé*

Muita gente pode achar graça do que vou contar. Paciência. Sou devota de Nossa Senhora da Medianeira. Há 13 anos, sempre vou à Romaria – ou a trabalho, ou como romeira. E, olha, nem sou católica.

Essa relação com Nossa Senhora começou quando eu estava tentando me recuperar de um furacão que passou na minha vida. No final de 2002, num período de uns quatro meses, perdi emprego, casa, namorado, uma das minhas melhores amigas e uma montanha de dinheiro. Até meu bichinho de estimação tive de doar.

Voltei de Porto Alegre para Santa Maria, em 2003, com uma mão na frente e a outra atrás. Deixei os móveis que não vendi na casa de um amigo, o Beto, e fui morar com minha mãe. Dormia no quarto do meu sobrinho e guardava as roupas dentro de uma calçadeira da minha tia. Um amigo muito querido, o Cristian, conseguiu que eu trabalhasse no caixa de uma casa noturna uma vez por semana, para eu ter uns trocados e não ter de pedir dinheiro à minha mãe para comprar cigarros. Enfim, um triste quadro.

Três meses depois, consegui um frila aqui no Diário. Durante um ano e meio, trabalhei apenas para pagar as dívidas que tinha deixado na Capital – e as dívidas que a amiga que perdi havia feito em meu nome (nunca emprestem cheques, amiguinhos).

Foi então que, em novembro de 2004, já contratada pelo jornal, com todas as contas pagas e com o nome sujo por conta de apenas um cheque de R$ 30 – em mãos de uma firma falida –, eu me vi trabalhando, pela primeira vez, na cobertura da Romaria Estadual da Medianeira.

Minha missão era fazer entrevistas no Parque da Medianeira. Desde cedo, fazia muito calor. Mas não achei o trabalho aborrecido, porque, a cada entrevista, eu conhecia uma história mais bonita de fé. O “milagrezinho” de cada dia, a grande graça e, sobretudo, muita esperança.

Sei que, em dado momento, eu estava no Altar Monumento, e a imagem da Medianeira estava chegando. O sol ardia, não havia sombra, e eu resolvi me agachar num cantinho (até para evitar aparecer toda suada nas imagens da TV). Quando eu vi, haviam colocado a imagem dEla ao meu lado. E me dei conta que estava ajoelhada aos pés de Nossa Senhora. Olhei para Ela e senti um cansaço tremendo. E chorei.

Fazia tempos que eu não rezava, e eu achava que não estava ali para isso, mas aproveitei para mentalizar: “A Senhora sabe do que eu preciso. Me ajude, por favor”. Sequei as lágrimas, levantei e segui meu trabalho.

E, agora, vem o meu milagrezinho: meu “encontro” com a Medianeira foi em 14 de novembro; no dia 3 de dezembro, eu estava me mudando para um apartamento alugado em meu nome. O cheque desaparecido surgiu do nada. Vai soar clichê, mas me convenci de que não há advogada melhor do que Nossa Senhora.

Desde então, anualmente, no segundo domingo de novembro, faço aquele trajeto a pé, com milhares de romeiros, como prova de gratidão e humildade. E, mesmo se um dia eu não morar mais em Santa Maria, vou me esforçar para vir aqui, orar para os meus, e, de novo, erguer os olhos para Ela e dizer: “A Senhora sabe do que eu preciso. Por favor, me ajude.”

Crônica publicada no jornal Diário de Santa Maria em 12/11/2016

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