Vídeo tosco: assédio sexual, aqui, dá cadeia

Em 2014, um escândalo envolvendo um famoso músico e apresentador de rádio da província de Ontário chocou a população. Jim Ghomeshi foi acusado de estupro por seis mulheres. Ele negou, mas, ainda assim, foi preso. Após julgamento, foi considerado “não culpado” (é diferente de “inocente”) em cinco acusações. Da sexta, ele só se livrou após um pedido público de desculpas à vítima.

Mais ou menos na mesma época, 13 alunos de Odontologia de uma universidade da província de Nova Escócia foram suspensos por manter uma pagina no Facebook onde postavam comentários chulos sobre colegas mulheres.

Seguiu-se uma chuva de reportagens mostrando que a maior parte das universidades e faculdades não tinha uma politica contra assedio ou procedimentos para investigar denuncias. Estatística do governo informou que uma em cada 3 mulheres sofreria assédio. Em outra pesquisa, 28% das pessoas disse ter sofrido assedio sexual verbal ou físico no trabalho.

Então, a governadora da província de Ontario à época, criou um plano para educar a população. Ao longo de três anos e 41 milhões de dólares, o “It is not OK” criou uma nova legislação que, entre outras coisas, obriga empresas, escolas e universidades a  a melhorar seus programas de prevenção ao assedio sexual, bem como a investigar seriamente as reclamações.

O plano também acabou com o prazo limite para denuncia de assédio e também para buscar compensação financeira do acusado, entre outras coisas.

O Canadá é um país que preza muito pela igualdade de gênero e pelos direito humanos. Assim, por aqui, o entendimento é que “assédio é uma forma de discriminação que envolve comportamento físico ou verbal indesejado que te ofenda ou humilha”.

Inaceitável, portanto.

Não deixei, porém de me sentir chocada com a liberdade que meninas e mulheres têm por aqui.

 

Na minha primeira semana em Toronto, tomei o metrô com duas estudantes adolescentes, vestindo uniforme da escola, que incluia uma saia plissada. O modo como elas estavam sentadas no coletivo me informava que elas não tinham medo que nenhum homem “se passasse” com elas. Conversavam, distraídas, pernas e coxas à mostra.

Nenhum homem sequer olhava para elas. Não houve fiu-fiu, cantada, nada. 

Aqui você anda nas ruas e ninguém olha muito para ninguém. Ninguém se aproxima para fazer um comentário de baixo calão. Não há “elogios”, insistência ou papo furado. Nem mesmo em bares e boates.

Será que, um dia, o povo brasileiro chega lá?

Converso um pouco sobre isso no vídeo tosco abaixo.

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