Ó, mundo tão desigual

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Arte extraída do Ciências Criminais

Eu planejava escrever um post sobre a profunda limpeza que eu tenho feito nos cômodos da minha casa e quanta libertação (e alergia) isso tem me proporcionado.

Mas, no fim, acho que para esse 24 de janeiro de 2018, cabe melhor falar sobre justiça. E a falta dela. Acho que nós, brasileiros, não temos muita noção do que esse termo significa.

Nosso povo demoniza direitos humanos, bolsa família, meninos de rua mas justifica racismo, machismo, crime passional e corrupção (claro, se a corrupção for do outro e não a sua própria).

Sonega imposto, faz gato de TV a cabo, de energia elétrica, de água, estaciona em vaga para idoso e deficiente, compra produto roubado, “dá um jeitinho”,  quer dar uns tiros no bandido, mas é “cidadão de bem”.

Por outro lado, de janeiro a março, há 18 anos, vê-se em uma cruzada pela “moral e bons costumes” durante o Big Brother Brasil. Faz dois dias que o programa começou e boa parte da audiência tem convicção de que um dos participantes abusa sexualmente da filha. O “comportamento estranho” justifica a tese. Não cabe defesa ao réu porque o julgamento popular é muito ágil.

Essa audiência não deve ser a mesma do reality análogo da Record, que já elegeu vencedor duas pessoas acusadas de abuso e violência contra a mulher.

Aliás, gostaria de ver tanto interesse popular ao acompanhar processos acerca de feminicídio.

Seria bom que nossos justiceiros defendessem, todos, as cotas étnicas e sociais nas universidades públicas, já que Justiça é um conceito que se refere a um equilíbrio de riquezas e oportunidades para todos de um mesmo grupo.

Mas não é assim. “Eles são vagabundos”.

samarco

Elegemos vilões e réus ao sabor do vento, do cansaço e do discurso que nos convenceu melhor. Torcemos por desfechos como quem espera o apito final de uma partida de futebol.

Aqui perto de casa, teve até foguetório pela condenação de Lula. Duvido que o fogueteiro consiga apresentar uma prova. O judiciário não o fez.

Mas é com muita convicção que vamos livrando os Temers, os Aécios, os goleiros Brunos e, muitas vezes, condenando vítimas. Talvez porque a justiça seja cega. E porque a gente não aprendeu a enxergar direito.

Sugestão de leitura: O Justo e o Injusto, de Ruth Manus

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Arte: Pat (extraída daqui)
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