Duas semanas, já?

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Tirei essa foto em 29 de junho, no meu primeiro dia aqui. O Congresso parece perto, né? Mas são pelo menos 4 km de distância. Sob sol, não é nada animador (aqui ainda é verão)

O tempo tem dessas coisas: você pisca os olhos e duas semanas se passaram.

Eu diria que o tempo voou, mas talvez essa palavra me faça passar a ideia errada sobre como foram meus últimos 14 dias em Brasília. Não flanei como um passarinho. O verbo é correr. Como corri!

E me perdi. E me achei.

A cidade é bizarramente grande e as ruas e avenidas e bairros, bizarramente parecidas.
Resultado: me perco todos os dias. A pé, de ônibus, de carro, na rua, dentro do shopping e mesmo com o Google Maps aberto.

Brasília estragou minha bússola e ri da minha cara.
Eu rio junto. Fazer o quê?

A sorte é que Renato Russo não mentiu. A cidade é linda de se perder.
Ainda não sei se é mais bonita de dia ou de noite. O relevo permite que a gente enxergue muito ao longe e se emocione ao ver de bem perto tanto as obras de Niemayer, quanto as árvores do Parque da Cidade ou do belo Lago Paranoá (que eu jamais imaginaria ser artifical se não conhecesse a história de Brasília.

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Esta é a vista da praça de alimentação do shopping Pier 21, às margens do Paranoá

Mas o que eu mais gostei daqui foram as pessoas. Além dos meus familiares e amigos que me receberam, coloquei na minha conta do carinho pelo Distrito Federal (constituído por Brasília e demais “cidades-satélite) a gentileza das pessoas. Especialmente as mais pobres (e trabalhadoras, por supuesto).

Conheci centenas. Motoristas de Uber, de ônibus, trocadores, vendedores de ouro, empregadas domésticas, porteiros, garçons, balconistas, caixas… Sorriem e conversam contigo como se te conhecessem há anos. Te dão conselhos e macetes pra lidar com a cidade. Dizem “vá com Deus”, na despedida.

Boa parte veio do Norte e Nordeste. Outro tanto migrou das Minas Gerais.

E são maltratados pela cidade.
A linha de metrô é curta, são mal-servidos de ônibus. Ganham pouco, moram longe, não têm fim de semana. Mas se tu perguntar se gostam daqui, dizem que não trocariam por outro lugar.

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No último feriadão, as empresas de ônibus reduziram as linhas, que ficaram com horário de domingo. Quem não era funcionário público se ferrou. Eu, inclusive. Tirei essa foto no terminal rodoviário lotadaço, por volta das 23h de domingo, com essa renca de trabalhadores tentando ir para casa.

“Aqui é a terra da oportunidade, moça. Cheguei há quatro anos com minha irmã, o cunhado e um primo. Eles não aguentaram, mas eu já comprei dois apartamentos em Samambaia. Mas trabalhei sem fraquejar. Só assim que se vence” – me ensinou um motorista de Uber, no dia em que cheguei.

Eu lembro daquele moço, que tinha um sotaque mineiro tão lindo, quase todos os dias.  Nos primeiros, me lembrava mais. Eu estava apavorada com praticamente tudo aqui.

Será que vou me adaptar no trabalho? Será que um dia vou conseguir andar sozinha? Não estou incomodando meus parentes? Onde é que eu vou morar, meu Deus?

Nessa babilônia infinitesimal de duas semanas, por várias vezes, me questionei ter tomado a decisão certa em largar minha vida confortável e um trabalho que eu dominava para começar a aprender tudo do zero.

E hojeagora, no microssegundo após o último big bang de incertezas, eu tenho certeza de que Brasília é um desafio do tamanho que eu precisava para temperar a minha vida, para alimentar esperanças perdidas, para renovar a mim mesma.

Ando por aí com olhos bem abertos e coração acelerado. Eu não quero perder nada.
Tenho muito o que aprender, o que correr, o que viver.

Obrigada, Brasília!
Tô me sentindo bem viva e pronta pra você.
Seja boazinha comigo.

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1 comentário Adicione o seu

  1. Margareth disse:

    Adorei Taty, Brasília é isso mesmo. Tanto nos instiga e inspira, quanto, no início nos amedronta um pouco. Mas as pessoas são muito gente, e aprende-se muito aí. Fico feliz por ti. Tenho certeza que vencerás e serás (já és!) feliz!! Beijos,

    Curtido por 1 pessoa

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