Levaram meu celular e eu entrei em crise

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“Tão alegres que viemos e tão tristes voltaremos…”

Adoro essa pessoa good vibes e madura na qual insisto em me tornar – cultivando controle mental, oração e aceitação “das coisas que não posso mudar”.

Porém, um episódio recente colocou em xeque esse crescimento pessoal.

Sábado passado, um menino (12 anos, no máximo) roubou meu celular em uma praça de Buenos Aires.

Não me sentia tão triste desde não sei quando.
Fiquei em luto. Como se um amigo tivesse morrido por minha culpa.

Diversas vezes, revi a cena. Eu andava pela praça do Retiro em busca de sinal para chamar um Uber que me levasse a Porto Madero. Vivia a alegria de estar na bonita capital portenha a trabalho, inaugurando uma roupa nova e todas as coisas viriam.

Eu estava distraída.
Foi fácil pro guri me dar um empurrãozinho e levar o celu da minha mão.

Me culpar pelo roubo foi o mínimo. Questionei minha validade/valor.

“Sou velha e solitária”.

“Eu não tenho amigos”.

“Estou fazendo o ‘jogo do contente’. Sou uma fraude”.

“Olha essa barriga!”

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Eu me achei linda nessa foto, antes do roubo. Depois, me achei barriguda. Velha. Solitária. É uma sabotagem mental, né?

***

Depois de muito pensar – e do amigo Javier me resgatar da depressão após eu mudar, bloquear e cancelar senhas de apps – entendi o que sentia.

TÉDIO.

Só então percebi o tempo que o smartphone ocupa na minha vida. E quase todo o tempo de ócio. Até quando estou ocupada, o celular está à mão. Vejo TV usando o celular, almoço com colegas mexendo no aparelho. Acordo de madrugada para ir ao banheiro e vejo vídeos novos no Instagram.

Eu fotografo quase tudo. Não posto 20%. Mas eu tenho as memórias no cartão (e, graças a Deus, no Google fotos).

Perder esse tapa furos foi ligeiramente traumático.

Eu carregava um livro. No meu quarto, havia TV a cabo. E o hotel oferecia uma sala com computadores. E eu tinha colegas e um amigo novo.

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Eu tinha um amigo que entendia o poder de um bom sorvete contra as decepções do dia a dia! ❤

E acabei me adaptando. E curtindo. E minha leitura avançou. E meu espanhol progrediu.

Eu não estava sozinha. Nem de luto.

Estava chateada. Me senti muito pobre.
Mas aí o Javier e a namorada me levaram em um bar em que uma taça de vinho custava cerca de R$ 5.

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“Maradona é melhor que Pelé”, gritei.

Me reencontrei com a pessoa que quero ser.
E me tornei mais cuidadosa. Quero que o celu novo viva comigo por muitos anos.
E quero continuar sendo positiva e sã apesar das adversidades.

É uma meta ambiciosa, eu sei.
Sobrevivi a uma sabotagem mental perigosa.

***

VOCÊS JÁ PASSARAM POR ISSO?

Me contem: tatianapy.destak@gmail.com

***

Sim, fiquei brava com a criança que me roubou.
Passou quando eu lembrei – enquanto almoçava camarão e bebia vinho (chorando) no restaurante do hotel 4 estrelas – que o piá correu para uma favela.
Após bloquear todas as funções do aparelho que pude, me veio à cabeça aquela poesia do marido, “Meu Guri”.

Eu sou uma pessoa privilegiada. Assumi essa posição.
E parei de chorar.

 

 

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1 comentário Adicione o seu

  1. Paulo Antonio dos Santos Tavares disse:

    Buenas Tati, passei pelo mesmo infortúnio, na linda Bahia de Todos os Santos, mais especificamente no Largo do Pelourinho olhado para a casa de Jorge Amado; e…vieram… 2…baianos…na lerdeza deles…e manotearam meu celular também novinho, com a 3° parcela paga, das 12. Meu senti um “Guasca bocaberta”.
    Fazer o que? Hehehehehe.

    Curtir

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