Hoje, me peguei dançando

clara
Foto: Wilton Monteiro

Acho que é culpa do computador, da Netflix (ou minha mesmo): mas eu não ouço tanta música quanto antigamente. Até mesmo AmarElo, vi dias depois do lançamento.

Nos últimos meses, minhas caminhadas, afazeres domésticos e quase todos os momentos que seriam silenciosos são preenchidos por podcasts (posso fazer uma lista dos que gosto, se quiserem). E apesar de eu me sentir ‘da família’ de alguns deles, não sou parte ativa deles. Não sei se me fiz entender.

Mas daí, ontem, aconteceu. Na volta de um compromisso profissional bacana, um verso me veio à mente:

“A tonga da mironga do kabuletê…”

Rapidinho, pesquisei no Spotify e a “Rádio Vinicius” me ofereceu essa e outras pérolas no caminho da Asa Sul para a Asa Norte. Dirigi mais devagar para desfrutar.

Na caminhada de hoje, deu para ouvir dois pods. Mas quando peguei o carro, liguei na “Rádio Vinícius” e fui contaminada por uma alegria que eu lembrava já ter sentido.

Fumo de rolo, arreio de cangaia,
Eu vim pra vender, quem quer comprar?
Bolo de milho, broa e cocada,
Eu vim pra vender, quem quer comprar?

Me peguei dançando forró com um parceiro imaginário enquanto dirigia. Eu cantava alto. No sinal, uma pedestre sorriu pra mim. Ou de mim. Nunca saberemos.

Em casa, refletindo, lembrei de um hábito que tinha na infância e adolescência.

Se eu tivesse sozinha em casa (e eu torcia por isso) eu colocava para tocar as músicas que eu gostava. Bem alto. Aí, eu dançava e criava um enredo na minha cabeça no qual eu era uma estrela, uma medalhista olímpica, uma cientista vencedora do Nobel, a namorada do Ayrton Senna, a revelação brasileira em Hollywood… E eu estava em uma festa, sendo entrevistada, homenageada… Aloka!

A girar… Que maravilha!

Lembrando dessa fase – que, olha, foi beeeeem longa, percebi que, talvez, eu precise abrir espaço para a poesia e a fantasia para me sentir mais feliz.

Onde não queres nada, nada falta.

Então, aprendi outra lição sobre mim. A primeira da ‘nova série’ foi um tabefe na sessão de terapia. Contei à psicóloga que ‘só tinha conquistado um (1) amigo’ em um ano. Ela:

“Mas que coisa boa. Você tem um amigo!”

Mesmo a quem não tem fé
A fé costuma acompanhar
Ô-ô
Pelo sim, pelo não

Escrevo este post ao fim de um dia de trabalho intenso, mas me sinto leve.

Hoje me sinto mais forte, mais feliz, quem sabe…

A quem eu agradeço?

 

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