Sem paciência (ou tô velha*)

ampulheta

Hoje, sonhei com o Fernandão, um ex-colega que, por anos, foi o mais velho da Redação que eu trabalhava. Ele nunca aparentou a idade que tinha e, sempre que calhava, ele comentava sobre a “antiguidade” de outrem:

“Deus me livre ficar velho desse jeito”.

Idade cronológica não é realmente um problema pra mim. Os 44 já estão me acenando e eu não posso brigar contra o tempo. Ele virá, se eu tiver sorte.

O que me enche é essa falta de paciência. É um saco cheio meio… cheio demais. Eu só não resmungo porque não tenho pra quem resmungar. Mas tenho certeza que  se tivesse, ficaria “dando letrinha”.

Também ando de saco cheio de achar que as coisas são insatisfatórias, de analisar tudo com lupa.

Claro que acompanhar o noticiário não ajuda.

Mas eu tenho, ainda, uma leve sensação de decrepitude, um cansaço. É físico mesmo. Ontem fui a um festival de música empolgadíssima, em menos de duas horas eu tinha dor nas pernas e nas costas. Depois veio a fome. O frio. E o sono. E um pensamento aterrador para uma pessoa que estava se divertindo.

“Tenho que terminar de ver aquele documentário
sobre a realeza britânica na Netflix. Quem sabe vou embora agora?”

Vai ver que foi por isso que sonhei com o Fernandão…

Eu queria ser uma pessoa mais leve e encarar com mais naturalidade meus defeitos.

Mas eu também quero devolver os boletos, me isentar do IPVA e de calorias, mandar pessoas à merda…

Tempo amigo seja legal
Conto contigo pela madrugada
Só me derrube no final
Vai passar. Eu sei.

*O título desse post, originalmente, seria “Sô véia”, ou “Tô véia”. Mas conheço um monte de veias que não são chatas como eu

** Alguém, hoje (05/08/2019), teve a maravilhosa ideia de homenagear os avós lá no “Grupo onde fingimos ser idosos confusos com a tecnologia”. A gurizada me deu nos beiços com meu preconceito.

Quando eu associo velhice à falta de paciência, ignoro o acúmulo de vivência e de sabedoria. E eles são, até, motivo para não ter saco pra mimimi: tempo e experiência.

Mas, de modo geral, percebo que quem chegou antes é mais tolerante a estresse. E tudo isso me fez lembrar o Albertino Py… O Vô

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2 comentários Adicione o seu

  1. Maria Rita Py Dutra disse:

    Acho que o culpado desse marasmo caótico, desse desânimo total, é do Lula!

    Curtido por 1 pessoa

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