Em transformação

Será que dói para uma lagarta virar borboleta? Deve doer. Uma transformação daquelas deve doer. De dentro pra fora. Dói. Certeza.

Então, eu e as lagartas estamos doendo. Mas minha dor melhorou bastante desde a surtada que dei na semana passada.

Foi bom para eu começar a levar a sério certas limitações íntimas com quem vinha mantendo uma relação bissexta – e que acabaram por afetar meu corpo de uma maneira inédita.

  • Parei de ler notícias desnecessárias (especialmente, sobre “você sabe quem”)
  • Evito vídeos, filmes ou qualquer produto audiovisual que possa me deixar agitada, revoltada ou de baixo astral
  • Reduzi o uso de redes sociais
  • Penso 10 vezes antes de entrar em uma discussão ou fazer comentário maldoso
  • Parei de beber
  • Comecei a rezar
  • Tomo os remédios na hora certa
  • Tomo passes
  • Tento me lembrar que há coisas que estão completamente fora do meu controle. Essas, entrego pra Deus

Aliás, numa palestra na sociedade espírita que frequento, uma palestrante contou uma história bacana sobre essas coisas que “não podemos modificar”. Se passou com São Francisco de Assis.

Na época em que Francisco vivia, antes de tu viajar de um mosteiro para outro, mandava uma carta avisando, com bastante antecedência. Foi o que ele fez, meses antes de partir de sua cidade para uma longa jornada ao outro lado do país, com outro franciscano em sua companhia.

Ocorre que a carta de aviso não chegou ao mosteiro que os receberia.

Francisco e seu parceiro de viagem chegaram a seu destino, extenuados, em uma noite gelada. Eles observavam a neve que começava a cair quando bateram à porta.

  • Quem é?
  • É Francisco. De Assis.
  • Ah, pois sim!

O religioso não acreditou que era o fundador da ordem franciscana quem batia à porta e, simplesmente, não abriu.

Francisco, porém, foi tomado de profunda alegria e, com energia insuspeita, começou a dançar. Seu companheiro de jornada, desesperado, perguntou:

  • Que fazes? Vamos ficar ao léu na noite fria.
  • Ah, meu amigo. Agora, está 100% nas mãos do Criador.

Isso é fé. É crer que há algo no invisível a nos amparar a cada tombo, a nos cuidar quando nos pensamos sós, um porto para quando nos perdemos.

E vamos vivendo, até com medo, até com dor. Mas não muito.

metamorfose-lagarta-borboleta

2 comentários Adicione o seu

  1. Neca Cruz disse:

    Oi Tatiana! Ótimo teu texto, às vezes é necessário mudarmos nossos pensamentos, ja coloquei em prática algumas coisas que você citou no texto. Temos que ter muita FÉ! Fica com Deus, bjs Tatiana.

    Curtido por 1 pessoa

    1. tatipy disse:

      Que prazer ler isso, neca. Muito obrigada. Abração!

      Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s